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Mauricio Junior
Dúvida iniciada: 9/30/2005 4:26:43 PM

Desfrute da vida hi-tech sem dores


Dúvida:  Computador, notebook, celular e videogame são muito úteis mas, se usados de forma incorreta, podem provocar lesões no corpo

Cibele Gandolpho

O desenvolvimento tecnológico das últimas décadas trouxe importantes benefícios à vida moderna, mas também desencadeou problemas de saúde que anteriormente eram pouco conhecidos. O uso incorreto ou excessivo de computadores, telefones, videogames e notebooks pode ter sérias conseqüências com o passar dos meses e dos anos.

O maior vilão é o computador, diante do qual se fica sentado durante horas a fio, em posições inadequadas e realizando movimentos repetitivos. Em vez de ir para casa com a satisfação do dever cumprido, o trabalhador leva dores nas costas e nas mãos, nos braços e nas pernas.

Estudo realizado com usuários de computador mostrou que 57% deles têm dores nas costas, 29%, nos pés, e nos joelhos e 24%, nos ombros e nuca.Outras partes do corpo, como braços, mãos e pulsos, também foram citadas.

Trabalhos que exigem movimentos repetitivos dos braços e das mãos, como é o caso de quem digita durante muitas horas no computador, são um campo fértil para o desenvolvimento das Lesões por Esforços Repetitivos, mais conhecidas como LERs.

Equipamentos de trabalho inadequados e posições corporais erradas também podem resultar nas Doenças Ocupacionais Relacionadas ao Trabalho, chamadas de Dorts.

O primeiro sinal de lesões é uma dor que, no início, não chega a comprometer a produção diária. Não demora muito para que ela se torne uma dor mais forte, localizada em regiões como punhos, ombros e costas, ou provoque latejos em pontos distantes do desconforto inicial. Em casos mais graves, é necessário até tirar uma licença médica ou apelar para uma intervenção cirúrgica.

Segundo especialistas em ergonomia - conjunto de estudos que visam à organização metódica do trabalho em função do fim proposto e das relações entre o homem e a máquina -, médicos e fisioterapeutas, é melhor prevenir do que remediar.

Montar um local de trabalho adequado, com mesa, cadeira e equipamentos corretos; prestar atenção na posição corporal; descansar e realizar exercícios bastante simples de alongamento durante a rotina de trabalho evita, na maioria dos casos, o surgimento dessas doenças.

Pesquisas feitas nos Estados Unidos mostram que, para o empregador, investir em prevenção custa apenas de 5% a 10% do que se gastaria com um trabalhador já vitimado por uma doença ocupacional. A conclusão leva em conta horas de trabalho perdidas, gastos com treinamento de funcionários substitutos e indenizações, entre outros.

Segundo cálculos da Universidade de Cornell, em Nova York, com um investimento anual de US$ 150 (cerca de R$ 375) por trabalhador é possível eliminar grande parte do risco de lesão por esforço repetitivo.

Uma tendinite crônica afastou a bancária Ruth Peres Simon, 48 anos, do trabalho por 1 ano e 9 meses. Sessões freqüentes de fisioterapia, ingestão de remédios e uso diário de munhequeira amenizaram o problema, e Ruth voltou a exercer a mesma função. Mas as dores voltaram, e ela teve de se aposentar.

'Comecei a sentir dores no pulso e, um tempo depois, os braços e o pescoço doíam sem parar ', conta Ruth Simon, que trabalhava o dia inteiro no caixa de um banco. Na época em que foi afastada pelo médico, já sentia fisgadas e choques nas costas, e seu pescoço ardia. O diagnóstico foi tendinite crônica, ou inflamação nos tendões.

Essa é a doença mais comum entre os que trabalham com computadores, responsável por 70% do total de doenças relacionadas a atividades profissionais no Brasil, segundo o Ministério do Trabalho. Cerca de 65% das licenças médicas solicitadas pelos trabalhadores brasileiros têm como causa algum tipo de LER ou Dort.

Durante 1 ano e 9 meses, Ruth realizou sessões de fisioterapia, fez bateladas de exames e usou antiinflamatórios e analgésicos. 'Melhorei bastante mas, quando voltei a trabalhar, fui orientada a me afastar de qualquer atividade que pudesse agravar o problema', conta.

Ela foi transferida para diversas áreas dentro do banco, mas acabou retornado à função anterior. Voltou a ter fortes dores, e seu quadro evoluiu para uma outra doença, a tenossinovite, que é a inflamação da bainha dos tendões da mão, na junção dos dedos e da palma da mão.

Em 2002, acabou se aposentando e procurou um advogado, que a aconselhou a pedir uma indenização pelos danos provocados pelo trabalho. Ruth ganhou a causa. Além da indenização e da aposentadoria, recebe do INSS um benefício chamado Auxílio de Acidente de Trabalho. 'É uma quantia que ajuda bastante, mas não paga a lesão contraída', diz.

Atualmente, Ruth usa computador apenas em casa. 'Como o uso não é por horas seguidas, não tenho mais tantas dores. Além disso, procuro sentar da forma correta, apoiando as mãos, a coluna e os pés', conclui.




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